sexta-feira, 12 de junho de 2015

Mônada

Queria começar te dizendo que eu não fazia ideia do que estava fazendo quando comecei a escrever esse texto. Depois, em segundo plano, devo te avisar antecipadamente que qualquer frase que estiver fora do contexto ou fugir dos padrões considerados “normais” de sentido é puro charme poético.

Me desculpa se às vezes pareço incoerente ou confuso quando estou falando contigo. Na maioria das vezes eu perco totalmente o foco no que estou falando porque a tua beleza angelical e inebriante tira completamente a minha atenção e eu acabo me distraindo com esse seu sorriso lindo, profético e hipnotizante. E já que estamos falando do seu sorriso, é prudente eu te deixar avisada que ele deveria ser considerado patrimônio cultural da humanidade. Aposto que quando os deuses o esculpiram, eles não faziam ideia de que estavam construindo um dos fenômenos mais lindos da natureza. Queria transformar o teu riso num suvenir, depois convertê-lo em pérola, para guardá-lo dentro de uma ostra e posicioná-lo estrategicamente em cima da minha cômoda, para que fosse a primeira coisa que eu pudesse botar meus olhos pela manhã, logo ao acordar. O costume, o remanejamento, a métrica, a redundância, a escala rítmica, as rimas e todas essas bobagens poéticas... nada disso tem relevância ou significado algum quando a matéria e o tema da cantiga é você. Seu sorriso anula a razão de todas essas convenções bobas literárias.

Mesmo de início, te analisando de forma totalmente superficial e breve, nesse curto espaço de tempo anterior eu percebi o quão sensacional, magnífica e extraordinária você é. Eu seria apenas um idiota se tivesse deixado alguém tão apaixonante e fabulosa como você passar por mim como se fosse nada. Deixa eu te dizer uma coisa: devo admitir que foi encantador perceber que você é bem maior do que eu, mais perspicaz, inteligente e engraçada. A minha versão melhorada. Nunca antes na história da humanidade existiu alguém que soube reconstruir um coração de maneira tão delicada, rápida e completa como você. Sempre será o antídoto para a dor, a antítese de tudo o que há de ruim.

Eu gosto da ausência de maquiagem no teu rosto, do branco inacreditavelmente belo, suave e fluorescente da tua pele, do seu sorriso largo, meigo e aconchegante, onde eu certamente armaria uma rede e me deitaria deliciosamente aguardando o dia clarear. Sou obcecado pelo jeito intolerante, petulante e insolente que você me olha quando eu falo alguma besteira gigantesca ou quando desembesto a tagarelar feito louco, me castigando com os olhos de maneira tão genial, oblíqua e diagonal, só para depois sentenciar: “cê é besta, viu, Marcus?!”. Desculpa, mas eu devo confessar que a sua cara de decepção quando eu não consigo lembrar a ordem dos seus sobrenomes é a coisa mais dolorosa, hilária e fofa que existe. É possível que eu tenha me apaixonado pela tua pele cor de mármore e pelo teu cheiro doce & sutil de pêssego com baunilha. É maravilhosamente revigorante o calor do teu abraço, me sinto como um mortal nos braços de uma deusa. Sentir tuas mãos finas tateando meu rosto e envolvendo o meu pescoço é como botar a cara pra fora da janela num dia claro de primavera. É como torrões de açúcar massageando a minha pele. Te beijar é como ir de um ponto a outro da galáxia em questão de segundos. Pela primeira vez na vida não sinto a necessidade pedante e lamentável de rebuscar tanto um texto. Isso eu deixo pra época em que eu invocava o ausente e escrevia sobre o que não tinha. Alguém falou uma vez que a gente escreve sobre o que nos falta, que invocamos o ausente. Isso é tão verdade quanto mentira ao mesmo tempo. Tudo depende do momento, das circunstâncias. Hoje escrevo sobre o que eu já tenho, sobre o reflexo do teu espírito que mora no meu ser, sobre amanhecer e saber que você vai estar lá pra abrir a porta pra mim e me guardar no teu abraço toda vez que eu chegar atrasado, sobre lembrar que existe alguém tão linda, incrível, adorável e doce como você por aí.

Eu continuo me apaixonando por você todos os dias. É tão fácil quanto abrir a janela pra deixar o sol de primavera entrar. Agora tudo que eu vejo e escuto me lembra você: Uma música no rádio. Um pôr do Sol lento e sazonal. Um quadro numa camisa. Uma camisa num botão. A canção de ninar sublime que as cigarras que moram no quintal da minha casa entoam minutos antes d’eu dormir. Um tênis vermelho, surrado e sujo. Uma data. Um filme. Uma cor. Um sobrenome. Um cordão, um pingente, um cadarço desamarrado. As rosas do Cairo. A hora de voltar pra casa. A termodinâmica. Todos os cascos de tartarugas. Uma estação. Um sofá vermelho. Um campo vivo de flores silvestres. Um fim de semana na tua casa. Uma garrafa de chá gelado. Um café preto. O açúcar mascavo. O antigo Egito. Todos os fariseus e Faraós que cantam e te encantam. Todos os microorganismos, unicelulares e pluricelulares. Todas as epopéias espaciais e medievais. Todas as listras, pretas e brancas. Todas as coisas em você que me lembram eu mesmo. Todo contraste. O claro e o escuro, o azul e o preto, o branco e o dourado. Toda demora. Toda urgência. Todos os trejeitos. Todas as sonatas épicas e viagens temporais. Todos os azuis dos teus cabelos. Todo cinza. Todo dia nublado e ensolarado. Toda meiose. Toda mitose. Toda célula minha que parece multiplicar a cada toque seu. Todos os acordes dissonantes, oitavados, relativos e diminutos de uma ópera. Todo mês. Toda fotossíntese. Toda massa, toda força, toda alquimia cáustica. Todo rock, todo pop, toda bossa. Todos os labirintos e teoremas. Toda estação. Todo vórtice temporal. Toda radiação ultravioleta. Todos os elétrons, os íons e os cátions. Todos os mols da minha loucura balanceados junto aos teus infinitos. Todas as leis que regem o funcionamento dos planetas e tentam, inútil e arrogantemente, explicar a beleza dos corpos celestiais (mal sabemos nós que as estrelas são indiferentes à astronomia). Todo o dia. Cada sorriso teu. Cada estampa de flor no meu lençol de cama. Um grampo de cabelo. Todo minuto seu e todo segundo meu. Nenhum astro, nenhum cometa e nenhuma nebulosa podem ser tão grandiosos frente a todo o amor que eu guardei pra te dar. Me tornei mais terno, brando, sensível, racional, carinhoso e substancial depois de você. Estar ao seu lado é como descobrir uma linda música nova, que você não quer parar de ouvir nunca mais. Eu colocaria os sete mares, todos os meus infinitos e cromossomos numa concha só pra te dar e ampliaria os segundos em minutos, os minutos em horas, as horas em dias e os dias em eternidade, só pra ficar mais tempo ao seu lado. Te presentearia com as sete maravilhas do mundo, uma em cada dia da semana e erradicaria da humanidade todos os sete pecados capitais, só para deixar o mundo mais confortável para nós dois. Reorganizaria e comprimiria facilmente todas as leis da física, só para que as noites e os dias durassem mais tempo quando eu estivesse com você. Você é origem, profundidade e ressonância. É a transformação, a realização e exemplo do amor que nos prometeram em todas as vidas passadas. Tão misteriosa e fantástica ao mesmo tempo, se transformou em presságio de dias melhores. Toda verdade e beleza, toda pureza, charme, síntese e claridade... és a partícula do meu tudo, minha eterna Mônada.




Obs.: desculpa não ter te entregado esse texto escrito com a minha própria letra, é que ela é tão horrorosa que você jamais teria conseguido sair da primeira linha.

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